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A verdade


É difícil  falar a verdade?
Exprimindo-nos francamente mostramos respeito pelos outros e pela nossa liberdade.
Em muitos casos-todos recordamos de quando éramos crianças-é mais cômodo mentir,ou mesmo silenciar,nada dizer,esconder.Mas,a força da verdade está no fato de que se dissermos mentiras,poderemos ser desmentidos pelos próprios fatos.E,assim,se pretendemos sustentar que é melhor escolher a estrada da verdade ao posto daquela do engano,da ilusão,e pretendemos educar nossos filhos em tal propósito,precisamos compreender como estão as coisas.Porque as coisas,em alguns casos,se revoltam contra nós,contra aquilo que dizemos falsamente,e nos acusam de haver feito com a sua simples presença.E mesmo num ambiente onde impera a opinião,como arrisca ser o nosso, pode-se sempre levantar uma criança e,contrariamente aquilo que lhe dizem,afirmar que não é bem assim. É difícil ensinar a verdade,apesar da ajuda dos fatos cotidianos em si.Mas,ensinar a ser sincero é ainda mais difícil.Porque, se dizer a verdade é afirmar como é a situação- dizer o que é,e dizer o que não é simplesmente, seguindo uma célebre máxima de Aristóteles:"ser sincero significa escolher uma outra forma de concordância:aquela entre o que pensamos e o que dizemos."E,se no final,quando não dizemos a verdade são as coisas em si a nos desmentirem,mais complicado que no caso quando somos não verdadeiros,é a experiência de sermos desmentidos por nós mesmos.Porque não se trata de dizer o falso,mas de ser falso.Há certos sinais físicos que revelam a falsidade:há um desequilíbrio interno que é perceptível aos mais atentos,por exemplo,um repetitivo piscar de pálpebras,índice da insegurança,o tornar-se vermelho pela vergonha.Tudo isso,porém,é muito fácil de ser controlado.Os políticos na televisão o fazem melhor que ninguém. Se portanto,a verdade é uma virtude que nos diz profundamente respeito,e,se nesse caso,somos nós a sermos juízes de nós mesmos-na medida em que somos nós em primeiro lugar a termos os instrumentos para julgar a coerência do nosso comportamento-então devemos nos perguntar:como é possível favorecer essa tal coerência?Como é possível ensinar a criança desde cedo a dizer o que pensa?Como podemos fazer mesmo num contexto,no qual não somos 100% verídicos,é difícil sermos descobertos? O antagonista da verdade é a hipocrisia que indica um comportamento no qual a aparência,o nosso modo de reagir,de agir não corresponde aquilo que realmente somos.É necessário compreender,entretanto,que não ser hipócrita não significa dizer tudo e sempre,com propósito e despropósito.O contrário da hipocrisia não é a falta de educação.A própria verdade uma vez escolhida vai cultivada e expressa de forma inteligente.Porque franqueza não quer dizer imprudência.Mas,por que exatamente escolher fazer corresponder aquilo que se é com o que se diz e se faz?A resposta a esta pergunta nos ensina a por fora do jogo toda e qualquer manifestação de dissimulação.Praticando a sinceridade,de fato, demonstramos de não nos envergonharmos daquilo que somos.Sendo verdadeiros reconhecemos viver num contexto no qual nos é permitido manifestar liberamente o nosso ser.Exprimindo-nos francamente mostramos respeito por quem acolhe as nossas idéias.Logo,serenidade referindo-nos a nós mesmos,reconhecimento no confronto da liberdade de expressão que possuímos,respeito pelos nossos interlocutores.Tudo isso vem quando somos sinceros.Nem sempre,certo,é oportuno ser.Nem sempre nos vem concedido.Nem sempre temos a coragem de expor as nossas próprias convicções.Mas,um comportamento honesto,franco,aberto, talvez seja aquele que melhor nos caracterize como seres humanos.Demonstra isso a nossa capacidade de entrega e doação nas diferentes formas de como nos relacionamos com o próximo.

Comentários

ValériaC disse…
Bergilde, este é um tema excelente e delicado.
Falarmos a verdade e ensinarmos nossos filhos também a falar, não é tarefa das mais simples, porém fundamental, mas há momentos que sermos sinceros demais, passa do ponto e magoa o outro, então nestes casos ao invés de mentir, prefiro silenciar, muitas vezes.
Precisamos ser muito coerentes com o que ensinamos aos nossos filhos, pois na verdade eles reparam muito bem como de fato agimos e se houver contradições, eles logo vão questionar, porque uma coisa podemos ter certeza, a verdade, sempre encontra um modo de aparecer.
Boa semana amiga, beijos,
Valéria
Mona Lisa disse…
A mentira tem perna curta!

Atrás de uma mentira vem outra mentira e quando se diz a verdade, por muito que custe,vive-se com honestidade, tranquilidade.

Educar as crianças com base na verdade é torná-los adultos responsáveis!

Beijos.
Luma Rosa disse…
Bergilde, a melhor forma de educar as crianças é dando exemplo. Não adianta o discurso, se as ações o contradizem. Pais muito autoritários, acabam podando a manifestação espontânea da criança e travando o que elas gostariam de dizer. Temos que ser pais mais que amigos, mas não podemos esquecer que somos amigos de nossos filhos e que a casa é o porto seguro da família. Beijus,
Olá adorei conhecer seu cantinho, que legal morar neste país encantador. Falar a verdade as vezes é impossível, mentir nunca, mas nos ocultamos para não magoar quem amamos. Mas mostrar uma postura correta já um grande passo para nossos filhos serem pessoas de bem.
Tenha uma ótima semana.
Edna Moda disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Anne Lieri disse…
Querida Bergilde,mais um excelente texto para reflexão!Educamos pelo exemplo e, se não somos verdadeiros,as crianças percebem e crescem sendo mentirosas,falsas!Num blog há muita responsabilidade com o que dizemos,pois mesmo que poucos leiam, são palavras que ficarão ali,escritas.Entendo o que quis dizer e concordo que devemos sempre procurar ser autenticos,dizer o que pensamos,mas sempre com respeito a outras pessoas.Texto lindo!E amiga linda tb!...rss...bjs,
EDER RIBEIRO disse…
Bergilge, após ler o seu significante texto eu me lembrei de um fato q me ocorreu na minha infância. Cito: meu pai padeiro, após a feitura do pão na madrugada dormia e eu, com 8 anos, ficava na padaria na parte da manhã. Um fornecedor queria vendê-lo alguns produtos que ele não queria negociar. Então falou para mim q se ele o procurasse era para dizer q tinha saído. Então o vendendor chegou, eu lhe disse: "meu pai pediu para lhe dizer que ele saiu.". Mas ele está?. "sim, mas ele pediu para dizer que ele saiu. Meu pai teve uma gde lição, percebeu que além de não mentir, eu era sincero... Kkkkk. Bjos.
✿ chica disse…
É incrível isso,Bergilde.. Ensinamos ,p´regamos a verdade e a queremos sempre. Mas, e nas horas em que atendemos o telefone diante dos pequenos e, mudando a voz, dissemos às operadoras e pessoas oferecendo cartões e facilidades que NUNCA pedimos, que : A Dona de casa não está! Ela está viajando!
_Com quem falo, perguntam do outro lado.
É a Solange e sou empregada apenas da casa.

Após risos e a cena sempre se repetindo, os olhares atentos sempre ao lado, temos que dizer que são pessoas chatas, que não entendem que não queremos,só atrapalham,etc...

E aí? Estamos querendo ou não, MENTINDO diante deles,rsrs

A coisa é complicada. Tentamos acertar ,mas deslizamos também! beijos,chica
Élys disse…
Gosto da verdade, mas acho que em determinadas situações deve-se ter o cuidado com a forma de dizê-la.
Bom fim de semana. Um abraço.Élys.
Artes e escritas disse…
Sou adepta da sinceridade, o jeito de se dizê-la, no entanto faz a diferença. Sem dissimulação, se falarmos em tom suave e sincero, o diálogo fica mais tranquilo e provavelmente nos conduz a bons resultados, nos deixando bem e fazendo bem ao interlocutor igualmente. Parabéns, amei te ler hoje. Um abraço, Yayá.
Muito interessante este teu texto. Costumo dizer que " mentira tem perna curta" e sempre ensinei isso aos meus filhos desde pequenos. Sou uma pessoas muito autêntica, sincera; não consigo dizer aquilo que não penso, mesmo que faça um esforço para isso; sou um livro aberto de tal maneira que às vezes evito sair com determinada pessoa só pelo facto de saber que com ela tenho que ter cuidado com o que digo. Quanto às crianças penso que tudo isso se ensina pelo exemplo; nunca tive dificuldades com isso; sempre fui aberta e sincera para com eles, mesmo quando eram pequeninos; perguntava, respondia sem engano, explicava sinceramente sem deturpar as coisa, tendo, claro sempre em conta a idade. Com isto eles habituaram-se a ser assim também e hoje tenho uns jovens adultos que se abrem comigo e nunca precisaram de mentir. Penso que tudo nas crianças se ensina com o exemplo. Um beijinho Bergilde e obrigada por esta reflexão tão importante. Fica bem, amiga.
Emília
Mariazita disse…
Olá, Bergilde
Mais um óptimo texto para reflexão, este que vc nos apresenta.
Penso que este assunto daria um verdadeiro tratado, de tal modo é interessante e com tanto a dizer.
Sou adepta da verdade, embora muitas vezes haja necessidade, se não de mentir, pelo menos de omitir a verdade. É aquilo a que se chama "mentira piedosa". Quando a verdade vai ferir demais a pessoa a quem se dirige - um doente terminal, por exemplo - então a verdade não pode ser proferida. Passei por isso muitas vezes, quando tratei meu Pai com cancro terminal, dando-lhe sempre ânimo, fazendo todos os possíveis para ele não perceber a doença que tinha. E assim partiu sem saber a verdade, mas sempre com a esperança de que iria melhorar.
No que respeita às crianças sou apologista de que se lhes diga sempre a verdade, sem esquecer de a adaptar à idade que tiverem na altura.

Uma semana feliz. Beijinhos

Tucha disse…
Gostei das suas reflexões. Muitas vezes por uma questão de gentileza, deixamos de falar o que pensamos exatamente (o corte de cabelo de uma amiga por exemplo) A questão é mentir em assuntos que podem trazer implicações sérias.
Durante toda a vida lidamos com situações delicadas relacionadas à verdade ou ao seu contrário. É na formação de um ser, no comecinhos dela, que a verdade se impõe como norma de conduta: a verdade sempre, doa a quem doer. Atualmente, aqui no Brasil, estamos a ouvir mentiras a rodo, pela grande maioria dos políticos. É omo você diz,um olhar, semblante, o tom de voz, um gesto...denuncia, uma falsa verdade.
Excelente, o profundo enfoque do seu texto! Um abraço, Bergilde,
da Lúcia