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A chave do silêncio

Ser mãe é algo de extraordinariamente belo e difícil ao mesmo tempo .O maior desejo de toda mãe é aquele de ver os próprios filhos com saúde e felizes,mas depois é difícil conseguir amá-los e deixá-los 100% livres para serem eles mesmos.Muitas cometem o erro de derramar sobre os filhos-talvez incoscientemente-os próprios sonhos,aprisionando aspirações e esperanças.Frustrações e silêncios se tornam assim o refúgio privilegiado de tantos filhos.Tantas vezes assistimos na televisão ou mesmo conhecemos pessoalmente histórias de jovens que se lamentam da hiperproteção da própria família.Como mãe ou pai não deve ser fácil aceitar tal crítica. E,muitos se lamentam daquilo que chamam 'excesso de amor',uma forma de proteção que não ajuda a prepará-los a enfrentarem as dificuldades da vida social.Muitos temem ser vistos muito apegados à família porque temem ser encarados como fracos perante os companheiros,como por exemplo,não suportam ser chamados pelos pais(comumente a mãe),pelo celular a fim de que tornem cedo para casa,fazendo-lhes passar pela figura da criancinha indefesa .Na adolescência a inexperiência e a vontade de fuga são compreensíveis,mas também justificável é a inquietação desses pais(dessa mãe) movidos não pela desconfiança em relação ao filho,mas da preocupação pelas suas companhias,pelas amizades!
Ser pai ou mãe hoje em dia é difícil,porém também ser filho não é simples.Vemos cotidianamente jovens que vivem o pesadelo de serem isolados,num contexto de pouco contato com os pais que,para manterem a subsistência da família,ambos devem trabalhar o dia todo.Por não falar dos casos em que filhos(muitos ainda crianças)são obrigados ao papel de objeto de disputa nas cortes judiciais pela separação dos pais. Ou que procuram respostas no fundo de copos de bebidas alcoólicas...'o álcool aquece o coração,não faz pensar'disse uma jovem(16 anos lembro bem da sua idade)numa entrevista recente num quadro de um documentário italiano que explorava o tema.Pessoalmente,creio que a base da dependência (álcool,droga,sexo) seja sempre uma infelicidade,uma incapacidade de se amar.
O silêncio de um(a) filho(a) deve ser de cortar o coração de uma mãe.É um silêncio que pede,grita para ser ouvido:mas para penetrá-lo é necessário encontrar a chave justa.Não serve a insistência de uma pergunta-(por que,como,quando, o que) para abrir uma possibilidade,e nem mesmo um comportamento austero,autoritário,prepotente,de punição. Quando era somente filha algumas,muitas vezes me vi nos exemplos que citei anteriormente relativos à 'superproteção materna' que julgava receber.Hoje,também como mãe, acredito que seja essencial o respeito dos tempos de cada um, isto é,aceitar a situação(mesmo que não sempre agradável aos próprios olhos e desejos maternos),fazendo o filho(a) entender que, como mãe estamos Aqui,sem preconceitos, ou juízos de valor,prontas para escutar e dar a sugestão que somente o amor verdadeiro conhece.Na prática,mostrando-nos presentes em gestos mais que em palavras,transmitindo toda a ternura materna.O amor que sabe pacificar,que sabe romper um de cada vez os tijolos desse muro e,sem usar os músculos( a força),consegue fazer milagres.Sabe começar a fazer discursos que uma época eram considerados impossiveis.
------------------------------------------------Texto  publicado também aqui

Comentários

Élys disse…
Um texto que vem com uma reflexão muito boa para os tempos atuais. Creio, que é preciso manter um diálogo amigo e constante com os filhos.
Um grande abraço.
Élys
Mona Lisa disse…
Ser mãe é, acima de tudo, prepara um ser humano para a vida que ele escolheu.

É uma tarefa difícil que tem que ter o apoio do pai.

Beijinhos.
Tucha disse…
Muito bom seu texto, o exercício da maternidade não é fácil, conseguir esse equilíbrio entre a liberdade e o limite para educar. Cultivar os laços e o aconchego, deixar seguir no momento certo e estar sempre disponível nos momentos de necessidade.
Roselia Bezerra disse…
Olá, querida! Um post precioso que irradia verdades e que traz sábia experiência de vida. Bjm fraterno
Roselia Bezerra disse…
Olá, querida! Um post precioso que irradia verdades e que traz sábia experiência de vida. Bjm fraterno