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Literatura como linguagem universal

"Perdoa-me se hoje sou impaciente amor,
É a minha primeira chuva de verão.
A floresta,às margens do rio,é agitada
e as árvores exuberantes de ipomea aquática
tentam,com as flores perfumadas,o monção que passa.
Olha, por toda a parte o céu é atravessado
por relâmpagos e o vento levanta os cabelos.
Se bem hoje te trago o meu presente,
perdoa-me amor.
O mundo dos dias comuns
está encoberto pelo vapor da chuva,
todo trabalho é suspenso nas casas,
desolados estão os campos.
Somente pelos teus olhos negros
o barulho da chuva  encontra a sua melodia,
 e,à tua porta,vestido de azul,
Julho espera que tu abras,
com os jasmins prontos para as tuas tranças." 
Chuva de Verão,Tagore in Dono D'Amore.
Deixando registrado aqui um pouco do que tenho lido acerca de uma verdadeira obra-prima da literatura universal sem tempo nem fronteiras:
Trata-se de uma  belíssima coleção de 60 poesias escritas há mais de um século por Rabindranath Tagore  e organizadas neste maravilhoso livro por Brunilde Neroni- experta  escritora italiana e tradutora do idioma bengalês(língua natural do autor).
Os versos  de Tagore soam como uma linda canção de amor sem fim.
O poeta nasceu em Calcutá,proveniente de nobre família aristocrática que tinha o gosto pela música como parte integrante de seus costumes e vivências cotidianas, influenciando notavelmente seus escritos.
 São poesias que comunicam uma semiótica do pensamento para investigar e desfrutar a realidade do mundo circundante do seu tempo mas ainda hoje muito atual.Destilam conceitos filosóficos de forma inteligente e que  traduzem emoções intrínsecas  do ser humano.
Em toda a obra de Tagore é sempre presente a temática do amor nas suas mais diversas nuances,a tristeza,a dor,a melancolia,solidão,natureza,o encontro com o Criador,o sentido de viver e de morrer,enfim,proporcionando ao leitor uma mensagem  profunda que vai além de qualquer expectativa da lírica poética."Cada aspecto da nossa vida representa um presente especial que recebemos do nosso Criador,precisamos apreciar então as sutilezas de cada momento,mesmo aqueles aparentemente negativos pois tanto os de prazer como os de dor são passageiros" e nessa perspectiva o autor expressa toda a sua concepção de ser diante das experiências vividas em família com suas perdas e muitos lutos sofridos.
São poesias que ao longo dos anos têm sido traduzidas em diversos idiomas e servido como fonte de inspiração para muitos outros poetas,artistas e pensadores.Imersas em grande emoção,cheias de doçura e emolduradas por paisagens do Gange praticamente inarráveis dada a beleza e esplendor que somente a grande literatura é capaz de nos presentear. 
Desse modo,não é  à toa que Tagore foi o primeiro poeta e escritor oriental a receber o nobel de literatura,vindo mais tarde a renunciar o prêmio devido às próprias convicções políticas.O que não o impediu de ser  reconhecido como grande favorecedor do intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente e sua obra perpetuar-se pelos quatro cantos do planeta porque consegue tocar o coração e alma das pessoas independentemente de seus credos ou nacionalidades.

Comentários

Mona Lisa disse…
Um poeta de uma sensibilidade ímpar.

Os seus poemas comprovam-no.

Belíssima escolha com que nos brindaste.

Beijinhos.
✿ chica disse…
Tagore é incrível.Gosto muito de seus escritos! Belo compartilhamento aqui,Bergilde! bjs, tudo de bom, lindo fds! chica
Gracita disse…
Um poeta ímpar e tua genialidade poética nos envolve e nos inspira
Um belo final de semana amiga Bergilde
Beijos
helia disse…
Bonito Poema !
Esta Poesia soa mesmo como uma linda canção de amor sem fim!
Élys disse…
Ler Tagore é, realmente ter o coração tocado, fazendo a nossa alma vibrar intensamente.
Um abraço.
Élys
Mariazita disse…
Querida amiga
Não conhecia Tagore... mas, pela amostra, é uma falta imperdoável que terei que remediar rapidamente. ADOREI o poema.
Obrigada por ter-mo dado a conhecer!

Dias felizes lhe desejo.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS
Carmem Grinheiro disse…
Olá, Bergilde.
Bom vê-la lá "do lado do sol".
Lindo poema e feliz de mim, que vou daqui mais completa: confesso que não conhecia nem Tagore nem o poema - já marquei aqui para "investigar, aprender e me deliciar".
O título levou-me a lembrar de "Chuvas de verão" um filme de Cacá Diegues, famoso no Brasil lá pelos fins de 70, início de 80 na minha época de adolescente, que retratava a história de amor de um casal com mais idade - coisa tabu naquela época ;)

um bj amg e um xi na sua menina pelo aniversário